Comitê Carajás faz festa de formatura para 36 alunos do Vale Aprender Inglês

O Projeto Vale Aprender Inglês (VAI) acaba de ter uma nova turma de formandos na Usina da Paz, em Parauapebas. Os 36 jovens, entre 13 e 16 anos que começaram o curso em agosto de 2022, ganharam uma festa de formatura no dia 28 de setembro, que ocorreu nas instalações do Senai da cidade.

Entre os formandos está Davi Brazão, de 15 anos, que mora no bairro da Amazônia e estuda no curso técnico de eletro-eletrônica no Instituto Federal do Pará. Davi é também saxofonista, e na festa de formatura fez uma apresentação, tocando “Como é grande o meu amor por você”, de Roberto Carlos.

“Eu gostei muito do curso, os professores são ótimos. Consegui evoluir muito e vai me ajudar no futuro, porque hoje não se faz nada sem saber a língua inglesa, sobretudo na profissão de Medicina, que  eu escolhi seguir”, disse ele.

A mãe de Davi, a neuropsicopedagoga Milena Brazão Ferreira Lemos, soube do VAI por acaso, num dia em que ela foi à Usina para tentar matriculá-lo na natação. Não tinha vaga, mas ela viu o cartaz do curso de inglês e logo se interessou.

“Davi gostou muito da ideia, fez a prova de seleção e passou em primeiro lugar. Eu já estava querendo oferecer a ele um curso de inglês, mas aqui na cidade eles são muito caros, não cabe no meu orçamento. Por isso veio a calhar. Davi nunca faltou a uma aula, e sempre falou muito bem da equipe de voluntário(a)s, são muito atenciosos. Fiquei chorosa quando acabou o curso, gostaria muito que eles pudessem oferecer um módulo II, talvez uma conversação”, disse ela.

As aulas do Vale Aprender Inglês acontecem sempre aos sábados pela manhã, com duas horas de duração. O requisito básico para os jovens serem aceitos no projeto é que eles estejam matriculados na rede de ensino dos seus respectivos municípios.  Os professores são voluntários e é com arrecadação de doações feita pelos comitês regionais que são comprados exemplares do livro “Global Changer”, idealizado pela Universidade de Cambridge, que são distribuídos para os alunos.

Rafaela da Silva, voluntária do Comitê Carajás e coordenadora do VAI em Parauapebas, disse que uma nova turma já está sendo formada para começar ainda neste mês de outubro.

“A formatura foi muito emocionante, foi o momento dos alunos e dos pais dos alunos. É visível como esse projeto muda a vida desses jovens, e como os pais dão valor a isso”, disse ela.

Outra aluna beneficiada pelo VAI foi Ana Lidia Ribeiro, de 16 anos, que está cursando o primeiro ano do Ensino Médio na Escola Estadual Professor  Serafim Fernandes, em Parauapebas. Ana Lidia já praticava judô na Usina da Paz quando descobriu que as inscrições para o VAI estavam abertas:

“Foi um pouco difícil fazer a inscrição, a prova, mas eu estava muito empenhada, tanto que nunca faltei a uma aula. Eu amo aprender e amo a língua inglesa. Além disso, sei que vai me ajudar muito, é uma janela que se abre para mim, já estou conseguindo entender muita coisa”, disse Ana Lídia, que mora no bairro Tropical e quer estudar Administração.

A mãe de Ana Lidia, Ana Joyce Ribeiro, conta que a filha sempre pediu para aprender inglês:

“Corri atrás para ver se ela fazia um curso privado, mas o meu dinheiro não dava para pagar. E fiquei muito feliz quando ela conseguiu. Eu nunca precisei nem acordá-la para a aula. Chegava no quarto, aos sábados pela manhã, e ela já estava se arrumando para ir para a Usina. Os professores disseram que ela desenvolveu muito rápido e eu só tenho a agradecer. Queria muito que continuasse”, disse Ana Joyce.

O evento de formatura foi pensado nos mínimos detalhes para marcar essa conquista na vida desses alunos. Todos os alunos puderam usar capelos e faixas, além de receberem uma declaração de conclusão do curso.

“Eu nunca os vi tão animados, fiquei muito feliz também. E já estou organizando a nova turma, que vai ter, inclusive, quatro indígenas da etnia Xikrin. Eles já estão entusiasmados. Estamos colhendo as doações para comprar os livros. Já tenho a equipe de voluntários e não posso deixar passar muito tempo, porque eles ficam até me cobrando. Vamos em frente”, concluiu Rafaela.