Dia Nacional do Combate às Drogas e ao Alcoolismo: Superando o estigma

A dependência química é uma questão de saúde pública e bem-estar, uma vez que compromete o corpo, a mente e as interações sociais. O Dia Nacional de Combate às Drogas e ao Alcoolismo, instituído no dia 20 de fevereiro pela lei, é importante como uma estratégia de conscientização sobre esses temas.
O abuso de substâncias entorpecentes, como o álcool e as drogas, ainda se mostra como um tabu na sociedade brasileira. O Relatório Mundial sobre Drogas de 2024, divulgado pela ONU, relata que o número de pessoas que usam drogas aumentou para 292 milhões em 2022, um aumento de 20% em 10 anos, o que mostra uma necessidade crescente de conscientização sobre esse assunto.
Além disso, no dia 30 de agosto, o CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) lançou a 6a edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros – Panorama 2024. Nele, pode ser percebido que a desigualdade social e a discriminação racial estão diretamente relacionadas ao abuso do álcool e suas consequências, uma vez que a população negra – pretos e pardos – é a mais impactada pelas mortes totalmente atribuíveis ao uso de álcool no país. De acordo com o relatório, esta população apresentou 10,4 mortes por 100 mil habitantes, enquanto a taxa para pessoas brancas foi de 7,9, ou seja, 30% inferior. A diferença se mostra ainda mais significativa entre as mulheres: entre mulheres brancas a taxa de óbitos é consideravelmente menor (1,4 óbitos) em comparação com mulheres pretas e pardas (2,2 e 3,2 óbitos, respectivamente).
Também é importante considerar que a comercialização de drogas não é legalizada e isso gera questões de segurança pública que envolvem diversos processos criminais. O Relatório da ONU informou que em 2022, cerca de 7 milhões de pessoas estiveram em contato formal com a polícia (prisões, advertências) por crimes relacionados com drogas, sendo cerca de dois terços deste total relacionados ao consumo ou posse de drogas para consumo. Além disso, o comunicado observa que 2,7 milhões de pessoas foram processadas por crimes relacionados com drogas.
Ao levar em conta as nuances sociais que envolvem a dependência química, o alcoolismo e a estigmatização sofrida pelos indivíduos que lutam contra essa questão de saúde, uma questão a se considerar é a função do voluntariado nesta empreitada em promoção da saúde e de redução das desigualdades. O que podemos fazer para levar ações de bem-estar para dependentes químicos e seus entes queridos?
Como o voluntariado pode contribuir?
A partir da parceria dos Comitês Regionais com os aparelhos de saúde pública local, como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) ou os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), por serem lugares de acolhimento especializados na abordagem de pessoas com sofrimentos físicos e psíquicos causados pela dependência de álcool e drogas ilícitas. A Rede Voluntária Vale sugere algumas ações:
- Rodas de conversa com profissionais da saúde mental;
- Parcerias com Unidades Básicas de Saúde para divulgação de serviços de psicologia e psiquiatria oferecidos gratuitamente para a população pelo SUS;
- Promoção de ações voluntárias em parcerias com centros de reabilitação;
- Promoção de atividades esportivas que promovam hábitos saudáveis.

