Dia do Orgulho LGBTQIAPN+: Orgulho e respeito

A construção de um futuro melhor depende diretamente do respeito e da coexistência livre de preconceitos. O dia do orgulho LGBTQIAPN+, comemorado em 28 de junho, é um lembrete anual desses valores em relação às orientações sexuais e identidades de gênero, que comumente são estigmatizadas e reprimidas em diversos setores da sociedade.

A data se dá pelo levante de mulheres trans, gays, lésbicas e outros membros da comunidade contra a violência policial no bar Stonewall Inn, em Nova York no ano de 1969. Em paralelo às dinâmicas heterossexuais e/ou cisgênero (pessoas que se identificam com o gênero imposto no nascimento), a sigla atual abrange a diversidade de seus integrantes, sendo:

L-Lésbica: Mulheres atraídas afetivamente e sexualmente apenas por mulheres;

G-Gay: Homens atraídos afetivamente e sexualmente apenas por homens;

B-Bissexual: Pessoas atraídas afetivamente e sexualmente por pessoas de qualquer gênero;

T-Transexual: Não se refere a uma orientação sexual como as anteriores e sim com uma afirmação de gênero – uma pessoa trans é aquela que não se identifica com o sexo imposto no nascimento;

Q-Queer: Qualquer pessoa que não se encaixa nos padrões heterocisnormativos, da cisgeneridade e da heterossexualidade;

I-Intersexo: Pessoas que nascem com características biológicas que são entendidas como masculinas e femininas (anteriormente chamadas pelo nome equivocado de “hermafroditas”);

A-Assexual: Pessoas que não sentem atração sexual por outras pessoas;

P-Pansexual: Pessoas que se sentem atraídas afetivamente e sexualmente por todas as identidades de gênero;

N-Não Binárie: Pessoas que não se identificam com gênero masculino e feminino, podendo se identificar com os dois ou nenhum;

+ – Outras identidades de gênero e/ou sexualidades não contempladas pela sigla.

Marginalização da comunidade LGBTQIAPN+

A invisibilização é um dos fatores determinantes para não termos estatísticas precisas e consistentes da população LGBTQIAPN+ no Brasil. Isso pode ser exemplificado pelo fato de não haver perguntas sobre orientação sexual e identidade de gênero no Censo 2022, o que seria importantíssimo para obtermos informações apuradas a nível nacional.

Apesar disso, a USP e a Unesp nos trazem algumas informações preocupantes: 45% dos LGBTQIAPN+ brasileiros contemplados pela pesquisa declaram já ter sofrido agressões verbais por sua orientação sexual e/ou de gênero, 32% já sofreram agressão sexual e 27% já sofreram algum tipo de agressão, ameaça ou assédio físico pelo mesmo motivo.

Além disso, de acordo com o Grupo Gay da Bahia, em 2023 a população de travestis e mulheres trans sofreu 61,74% do total de casos; e os homens gays, 25,65% do total.

A vulnerabilidade social se demonstra no grupo pelas dificuldades sofridas no mercado de trabalho pela comunidade: de acordo com a pesquisa Diversidade e Inclusão (D&I) do Great Places To Work (GPTW), apenas 10% dos funcionários entrevistados se autodeclaram LGBTQIAPN+, 8% dos cargos de liderança são ocupados por pessoas LGBTQIAPN+ e só 6% dos cargos de presidência se autodeclaram LGBTQIAPN+.

Todos estes fatores tornam acessos básicos como saúde pública, segurança, educação, moradia e até mesmo registro de nome social pouco acessíveis para a população LGBTQIAPN+. Com isso em mente, existem políticas públicas desenvolvidas pela Secretaria Nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIAPN+, como as campanhas LGBTQIA+ Cidadania, Brasil Sem Homofobia e Construir para Reconstruir.

Também existem organizações que abrigam e/ou amparam pessoas LGBTQIAPN+ em vulnerabilidade social, como a Casa Nem (RJ), a Akasulo (MG), a ONG Olívia (PA) e a Casa FloreSer (MA). Essas instituições contribuem para a comunidade com serviços como atendimentos de serviço social, psicologia e direito, garantindo uma existência mais digna para essa população marginalizada.

Como a Rede Voluntária Vale pode contribuir?

Todo engajamento da sociedade é essencial para trazer uma realidade com mais respeito e orgulho para a comunidade LGBTQIAPN+, por isso, sugerimos algumas ações voluntárias:

  • Doações de roupas, kits de higiene e alimentos para instituições de acolhimento a pessoas LGBTQIAPN+;
  • Mutirão para regularização de documentos junto às secretarias de assistência social das áreas de atuação;
  • Palestras e rodas de conversas em escola em parceria com ONGs e instituições focadas em pessoas LGBTQIAPN+;
  • Mutirões de vagas de empregos junto às unidades do Sistema Nacional de Empregos (SINE) das áreas de atuação;
  • Mutirões de saúde voltados para essa população junto às Unidades Básicas de Saúde (UBS) das áreas de atuação.