Voluntários de Santa Luzia incentivam projeto de economia circular e realizam exposição
A Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) do Centro de Desenvolvimento Mineral (CDM), em Santa Luzia, teve uma atração diferente. Sob a organização do(a)s voluntário(a)s do Comitê CDM Santa Luzia, no dia 14 de outubro foi realizada uma exposição de produtos confeccionados pelas costureiras da “Associação Servindo e Protegendo” (Assep) a partir dos uniformes doados pelos empregados Vale. Ao todo, foram doadas 232 peças, entre camisas, calças, macacões, jalecos e jaquetas, que foram recicladas e se transformaram em bolsas, necessaires, porta-trecos e outras peças.
Cristiana Parreira, que trabalha na diretoria de Exploração e Processo Mineral do CDM Santa Luzia, contou que a ideia da reciclagem dos uniformes surgiu numa visita que três voluntário(a)s do Comitê CDM fizeram à Assep, que fica no distrito de Borba Gato, no município de Sabará, em Minas Gerais:
“Durante a visita, percebemos que a Assep tinha seis máquinas industriais de costura e elas estavam sem uso. Foi quando veio a ideia de reaproveitamento dos uniformes, porque já tínhamos essa demanda, já que os uniformes são trocados anualmente e as peças, com logo da empresa, não podem ser usadas fora do serviço. Eu sabia que a Vale já doou uniformes para a instituição “Arte, mãos e flores”, no distrito de Antônio Pereira, em Ouro Preto, e logo fiz a ligação entre as máquinas paradas e aquele trabalho”, disse Cristiana.
O passo seguinte foi pensar o projeto, escrevê-lo e apresentá-lo para a Integridade Corporativa e ao Jurídico da Vale, para ser avaliado. Feito isso, a empresa liberou uma verba, de R$11 mil, valor que foi usado para ajudar com a logística de viagem das costureiras da instituição “Artes, mãos e flores” para a realização de oficinas e para custear alguns insumos importantes.
“Nós queríamos que as costureiras do ‘Arte, mãos e flores’ viessem ensinar o ofício às costureiras da Assep. Isso aconteceu na semana de 2 a 6 de setembro: nós as trouxemos de Antonio Pereira, para Sabará. Foram três costureiras que ensinaram dez mulheres da Assep. E foi bom porque elas também deixaram o contato para seguirem trocando entre elas”, disse Cristiana.
Antes disso, o(a)s voluntário(a)s de Santa Luzia organizaram rapidamente uma campanha para recolhimento de peças do uniforme. Para isso, designaram um local de coleta, que agora fica permanente no prèdio do CDM. Próxima etapa foi organizar uma exposição.
“A Vale promove a Sipat anualmente. Conversamos com a pessoa responsável e não foi difícil projetarmos essa exposição, com a venda dos produtos. Todo o lucro das vendas vai para a Assep, e as próprias costureiras determinaram o preço de cada peça”, contou Cristiana.
A “Associação Servindo e Protegendo” oferece orientação, apoio e atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade pessoal e social, visando o desenvolvimento de potencialidades, a inclusão social, a integração ao mercado de trabalho e o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
O que é economina circular
O reaproveitamento de peças, como o que está sendo feito pelas costureiras da Asset com a ajuda do(a)s voluntário(a)s do Comitê CDM faz parte das ações que a Rede Voluntária Vale realiza e que podem deixar um legado para as comunidades.
Trata-se de um modelo que propõe uma mudança global na forma de consumir, de modo a reduzir o desperdício. A economia circular é uma abordagem econômica que busca ir além do conceito de “fim de vida útil” dos produtos, visando a otimização do uso de recursos, minimizando desperdícios e aumentando a reutilização, recuperação e reciclagem de materiais.
O estudo “Fios da moda: perspectiva sistêmica para circularidade”, da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Modefica, indica que apenas 1% das roupas produzidas no mundo é reciclado.
Outros dados sobre a reciclagem de roupas no mundo incluem:
- Mais de 60% das roupas produzidas globalmente acabam no lixo em até 12 meses.
- A indústria da moda é responsável por até 10% das emissões globais de gases do efeito estufa.
- A estimativa é que, até 2030, 134 milhões de toneladas de resíduos têxteis sejam descartados a cada ano.
- Estimativas do Boston Consulting Group para o projeto Global Fashion Agenda mostram que são gerados cerca de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis por ano no mundo com potencial de chegar a mais de 130 milhões de toneladas em 2030.

