Janeiro Branco: um chamado à saúde mental

O Janeiro Branco, campanha idealizada pelo psicólogo Leonardo Abrahão, em 2014, é um movimento que coloca a saúde mental no centro das atenções. A iniciativa busca estimular o diálogo, combater estigmas e incentivar a busca por apoio profissional. Mais do que reflexão individual, o Janeiro Branco defende que cuidar da saúde emocional é um direito e precisa ser garantido por políticas públicas.

A urgência do tema é refletida em dados: segundo o Ipsos Health Service Report 2025, 52% dos brasileiros veem a saúde mental como o principal problema de saúde, enquanto em 2018 eram 18%. No trabalho, o impacto também cresce: em 2024, o país registrou quase meio milhão de afastamentos por questões emocionais.

Com o tema “Paz! Equilíbrio! Saúde Mental!”, a campanha deste ano reforça a importância de desacelerar, organizar as emoções e cultivar relações mais humanas. Saúde mental é fundamento para uma vida melhor, e não um luxo.

Vivemos um tempo de exaustão coletiva, em que pressões, urgências e silêncios que nos afastam de nós mesmos. O convite é claro: retomar o centro, fortalecer vínculos e recuperar a serenidade que sustenta a vida.
Quando a mente encontra paz, tudo ao redor respira melhor. Nossas relações, instituições e territórios também se beneficiam, já que as demandas emocionais e psicossociais do dia a dia impactam profundamente a forma como convivemos e construímos o mundo.

Confira algumas dicas de como cuidar da saúde mental!

A ansiedade é o transtorno mental mais presente entre os brasileiros durante a pandemia, de acordo com resultados preliminares de uma pesquisa conduzida pelo Ministério da Saúde. A doença afeta mais de 86% dos entrevistados, seguida por estresse pós-traumático (45,5%) e depressão grave (16%). Mesmo antes da Covid-19 o país já se destacava negativamente nos cuidados com a saúde mental. Dados de 2017 da Organização Mundial da Saúde (OMS) colocavam o Brasil no primeiro lugar da prevalência de transtornos de ansiedade e em quinto nas taxas de depressão.

Por esse motivo, precisamos voltar a nossa atenção aos cuidados da saúde mental. E aqui compartilhamos algumas atitudes que podem auxiliar no equilíbrio da saúde mental.

  • Desacelere intencionalmente: reserve momentos para desconectar-se de dispositivos digitais, 10 minutinhos por dia.
  • Priorize conexões autênticas: valorize conversas significativas e trocas reais, fortalecendo vínculos emocionais.
  • Pratique gentileza consigo mesmo: permita-se descansar e acolher imperfeições sem culpa.
  • Explore novas formas de expressão: escrever, sorrir, cantar, dançar, ler, contar histórias para alguém, pintar ou qualquer prática criativa pode ser uma forma de canalizar emoções.
  • Engaje-se na comunidade: sentir-se parte de algo maior ajuda a combater a solidão e fortalecer o propósito.
  • Procure ajuda pessoal e profissional quando necessário: buscar apoio é essencial para superar desafios e manter a saúde mental em equilíbrio.

Como buscar atendimento pelo Sistema Único de Saúde?

A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) é uma rede integrada de serviços que tem como objetivo garantir acesso, atenção integral e tratamento às pessoas em sofrimento psíquico ou com necessidades decorrentes do uso prejudicial de álcool e outras drogas de álcool.

Principais pontos da RAPS:

  • Atenção primária (Unidades Básica de Saúde / Estratégia de Saúde da Família): é a principal porta de entrada para atendimento no SUS. Acolhe casos leves e faz encaminhamento para especialistas.
  • Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): atendimento especializado para casos mais graves ou persistentes.
  • Serviços complementares: Unidades de Acolhimento, Serviços Residenciais Terapêuticos, leitos psiquiátricos em hospitais gerais, e pronto atendimentos para urgências.

Para iniciar o atendimento, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima, relate seus sintomas e receba orientações. O atendimento pode ocorrer na própria UBS ou, se necessário, você será encaminhado a um CAPS

Em casos de sofrimento psíquico moderado a grave, é possível ir diretamente ao CAPS, que funciona em regime de porta aberta. Já em situações de crise ou urgência, ligue para o SAMU (192) ou procure uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou pronto-socorro da sua região.

Como o voluntariado pode se engajar nesta pauta?

O voluntariado pode ter um papel muito relevante na promoção da saúde mental por meio da conscientização da sociedade. Aqui vão algumas dicas práticas de ações voluntárias:

  • Organizar palestras, rodas de conversa ou campanhas educativas sobre saúde mental, combate ao estigma e prevenção em escola e organizações sociais.
  • Conduzir oficinas de arte, música, leitura ou esportes, que ajudam na expressão emocional e integração social.
  • Apoiar eventos que promovam bem-estar e inclusão.
  • Voluntariar-se em CAPS, ONGs ou associações que trabalham com saúde mental, auxiliando em atividades administrativas, recreativas ou de acolhimento.