Setembro Amarelo: Se precisar, peça ajuda!

A campanha Setembro Amarelo, que há uma década mobiliza o país em torno da prevenção ao suicídio, ganha em 2025 um novo marco institucional: o Governo Federal oficializou os dias 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio e 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação. A medida fortalece o compromisso público com a saúde mental e amplia a visibilidade de temas que ainda enfrentam barreiras sociais e culturais para serem discutidos abertamente.
Neste ano, o lema da campanha – “Se precisar, peça ajuda!” – reforça a importância de romper o silêncio diante do sofrimento emocional e estimular a busca por apoio como forma de prevenção ao suicídio. Pedir ajuda não é sinal de fraqueza, mas um ato de coragem e cuidado com a própria vida. A iniciativa é liderada pelo Centro de Valorização a Vida (CVV), a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), e conta com ações educativas em escolas, empresas, unidades de saúde e espaços públicos.
Por que falar sobre suicídio é urgente?
O suicídio é uma questão de saúde pública que exige atenção imediata, diálogo aberto e ações coordenadas. No Brasil, os dados mais recentes revelam um cenário preocupante: em 2022, foram registrados mais de 16 mil óbitos por suicídio, com crescimento contínuo ao longo da última década.
A distribuição por gênero mostra que os homens são os mais afetados, representando cerca de 80% das mortes por suicídio no país. Essa disparidade está associada a fatores como menor busca por ajuda, maior exposição a métodos letais e dificuldades em lidar com sofrimento emocional. Já entre as mulheres, embora o número de óbitos seja menor, há maior incidência de tentativas de suicídio, o que também demanda atenção e cuidado especializado.
Grupos minoritários enfrentam riscos ainda mais elevados. Pessoas LGBTQIA+ estão entre os mais vulneráveis, especialmente jovens que lidam com rejeição familiar, discriminação e violência. Estudos apontam que mais de 60% da população LGBTQIA+ já pensou em suicídio, e cerca de 30% relatam ter tentado ao menos uma vez. Esses números refletem não apenas sofrimento individual, mas também a urgência de políticas inclusivas e redes de apoio seguras.
Além disso, a automutilação, frequentemente associada a transtornos como depressão e ansiedade, tem crescido entre adolescentes, sendo um sinal de alerta para risco suicida. A oficialização do Dia Nacional de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro) e do Dia Nacional de Prevenção da Automutilação (17 de setembro) pelo Governo Federal em 2025 reforça a importância de tratar o tema com seriedade e responsabilidade.
Falar sobre suicídio é urgente porque o silêncio pode custar vidas. A escuta empática, o acolhimento sem julgamento e o encaminhamento para serviços especializados são atitudes que todos podem adotar. A prevenção começa com a informação e com a coragem de cuidar
Preste atenção aos sinais
Pequenas mudanças podem indicar um pedido de ajuda. O site setembroamarelo.org.br informa alguns sinais que devemos ter atenção.

Para contribuir com a compreensão deste tema, acesse o material ”Falando abertamente sobre suicídio”, elaborado pelo Centro de Valorização da Vida.
Mitos e verdades sobre suicídio
Falar sobre suicídio ainda é um desafio em muitos espaços da sociedade. O silêncio, o medo e a desinformação alimentam preconceitos que dificultam o acolhimento e a prevenção. Desconstruir mitos é essencial para promover uma cultura de cuidado, empatia e informação responsável. A seguir, esclarecemos algumas das crenças equivocadas mais comuns, e o que realmente sabemos com base em estudos e práticas de saúde mental.
Mito: Falar sobre suicídio incentiva alguém a cometer o ato
Verdade: Conversar abertamente sobre o tema, com respeito e acolhimento, pode aliviar o sofrimento e ajudar a pessoa a buscar apoio. O diálogo é uma ferramenta poderosa de prevenção.
Mito: Quem pensa em suicídio não dá sinais
Verdade: Muitas pessoas em risco demonstram mudanças de comportamento, falas preocupantes ou isolamento. Estar atento a esses sinais é fundamental para oferecer ajuda.
Mito: Quem fala sobre suicídio só quer chamar atenção
Verdade: Expressar pensamentos suicidas pode ser um pedido de ajuda legítimo. Minimizar esse sofrimento pode agravar a situação. Toda fala deve ser levada a sério.
Mito: Suicídio está sempre ligado a doenças mentais
Verdade: Embora transtornos como depressão e ansiedade sejam fatores de risco, questões sociais, econômicas e relacionais também influenciam. O sofrimento humano é multifatorial.
Mito: Pensar em suicídio é sinal de fraqueza
Verdade: Pensamentos suicidas podem surgir em momentos de dor intensa. Reconhecer isso e buscar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza.
Desmistificar o suicídio é um passo importante para salvar vidas. Acolher, escutar e encaminhar para ajuda profissional são atitudes que todos podemos adotar
Onde buscar ajuda?
Se você ou alguém próximo estiver enfrentando sofrimento emocional, saiba que há ajuda disponível. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento gratuito por meio de unidades básicas de saúde, centros de atenção psicossocial (CAPS) e serviços de urgência e emergência. Os CAPS são especializados no cuidado em saúde mental e funcionam com equipe multidisciplinar, acolhendo pessoas em momentos de crise ou com transtornos mentais. Além disso, o SUS conta com profissionais capacitados para escutar, orientar e encaminhar cada caso conforme a necessidade.
Outra importante rede de apoio é o Centro de Valorização da Vida (CVV), que realiza atendimento voluntário e gratuito, oferecendo escuta acolhedora e sigilosa. O CVV está disponível 24 horas por dia, todos os dias da semana, pelo telefone 188 ou pelo site www.cvv.org.br, onde também é possível conversar por chat ou e-mail. Procurar ajuda é um passo essencial.
Como o voluntariado pode contribuir?
O voluntariado contribui na promoção da saúde mental e na prevenção do suicídio. Ao atuar com empatia, escuta ativa e respeito, voluntários podem oferecer acolhimento inicial a pessoas em sofrimento, criando espaços seguros para o diálogo e o cuidado. Embora não substituam o trabalho de profissionais da saúde, os voluntários são agentes importantes na identificação de sinais de alerta e na orientação para os serviços especializados.
Encaminhar corretamente é um gesto de responsabilidade e compromisso com a vida. Por isso, o voluntariado, quando bem-preparado e integrado a redes de apoio, fortalece a comunidade e contribui para quebrar tabus, ampliar a conscientização e salvar vidas.
Seguem alguns exemplos de atividades voluntárias que visam contribuir com o tema.
- Organizar rodas de conversa em escolas, empresas ou comunidades para falar sobre saúde mental e prevenção ao suicídio.
- Distribuir materiais informativos (panfletos, cartazes, adesivos) com mensagens de apoio e canais de ajuda como o CVV e o SUS.
- Promover palestras e oficinas com profissionais da área para orientar sobre sinais de alerta e formas de acolhimento.
- Realizar caminhadas ou eventos temáticos com uso da cor amarela, símbolo da campanha.
- Criar murais colaborativos com mensagens de esperança e valorização da vida.
- Produzir conteúdos digitais como vídeos, podcasts ou posts para redes sociais com depoimentos, informações e dicas de autocuidado.
- Divulgar os canais de atendimento como o CVV (188) e os serviços do SUS, orientando sobre como e onde buscar ajuda.

